"LIKE AN ADORNMENT" - Tiago Yhcas
"LIKE AN ADORNMENT" - Tiago Yhcas

Nada fazer e olhar..

Olhar simplesmente,

não olhar a fazer,

mas de forma a que não me canse,

porque se me cansar,

canso-me facilmente

de estar cansado,

Como um sono pesado

que me faz parar de pensar.

Tiago Yhcas


Sinto falta de não ler.

Não me influenciar

Na hipocrisia do pensamento

Dos outros, que ao escrever,

Me fazem pensar

E me trazem desalento.

Tiago Yhcas


Histórias do Coração ( I )
Por tanto amor procurei
Mas o estranho facto: amei
Entre tantas, aquela rapariga
E apenas ela desejei.
Sujo e inerte mendiguei
Pelas suas palavras de afecto que dizia
Naqueles dias de chuva, e que me fazia
Mais feliz que um rei
Por infortunado terror me arrastei
E numa desatinada procura recrutei
Tão enorme e acentuada fadiga
Por aquela rapariga tão minha
Que não encontrei.
 
Tiago Yhcas

Ilusões..

lançamo-nos aos sonhos

Mas neles nos atraiçoamos

Com ego nos assassinamos

Com depravadas devoções

são gostos, ou simples opções

Nos Matamos

 

Desordeiros, depravados,

Arruaceiros! que ódio abafador

Estou a avançar para vos apanhar

com estas mãos vos vou apagar

e tocar-vos com todo o Meu fervor!

 

Que prisão insensível,

com correntes e sem condições

engoles e embirras..

deixa-te de consolações!

 

afinal, não passam de ilusões..

 

Tiago Yhcas


Sequência negligente

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            Negligente, as contas que os alunos lançam ao tempo nesta sala de aula. O relógio emproado no alto daquela parede, soluça os seus segundos que se cruzam entre as cabeças “concentradas” daquela gente. Os olhares ansiosos postos nele preparam a saída num desespero absurdo. Já passara cinco minutos desde que aquele relógio hexagonal tocara a hora de saída quando finamente tocara. A campainha soara! Uma correria descomunal esvazia a sala e depressa a silencia. Lá no fundo o som divergente do átrio faz-se ouvir.. Amores são encontrados e tristezas são enfaticamente demonstradas, ignoradas, condensadas nas cabeças em terror. Amigos negligenciam e desconhecidos profetizam soluções, erradas soluções, falsas soluções. És um relógio, aquele que realiza o tempo.

            Foi naquele tempo relógio.

 
Tiago Yhcas

Frágil Flor

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Eras frágil como uma flor:

E como uma flor te tratei;

Como uma flor te respeitei;

Como uma flor murchaste;

Ao mínimo descuido me abandonaste..

Eras especial, eras diferente,

Foste tão igual flor

Que ao meu amor

Ficaste indiferente

 

Tiago Yhcas

4 Junho 2012


Tão diferente igual Tu

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            Que hipóteses tenho eu no mundo dela? Talvez os inúmeros zeros que me denuncia à esquerda respondam a isso. Por mais que tente padece tudo já consumado. Tenho receosos factos que evidenciam o seu novo amor. O seu único defeito, é ser perfeito. Ponho o meu raciocínio à prova, que devo de fazer para chegar de novo a ela. O que posso fazer agora, parece-me, apenas menorizar o meu sofrimento.

            A minha poesia esta a cair. É tamanha dor, que nem o papel sustenta sentimentos podres que daqui escorrem. É tão amaldiçoada a minha fortuna que a inspiração rasgaria estas mal tratadas folhas e na pior das opções corroeria o meu coração, e morreria. Duas semanas terminarão o caminho que segui por aquele coração. Subjuga-me.. Atira-me à cara a fragilidade da nossa relação. Que insanidade! Éramos juntos inquebráveis como o ar, partilhávamos tudo, e tudo o que passávamos, eram momentos tão exclusivamente nossos..

            Eras frágil como uma flor, e como uma flor te tratei, como uma flor te respeitei, e como uma flor murchaste, ao mínimo descuido me abandonaste. És especial, és diferente, mas foste tão igual às outras, que ao meu amor ficaste indiferente. “tinha uma pedra no meio do caminho, tinha uma pedra, no meio do caminha tinha uma pedra”, e por essa pedra não decidiste passar. Ficaste parada e decidiste voltar atrás. Atrás voltaste e de novo à pedra irás voltar. Vais voltar com alguém, e desejo o pior de mal a essa relação! Espero um dia desejar então o bem e desculpar-me desta praga. Sei que se chegares à pedra, a pedra passarás, e mais facilmente outras deixarás. Que medo de te ver feliz.. 

 

Tiago Yhcas

4 Junho 2012


Perdi-te

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Não consigo fazer com que me ames…

Que amor enferme. Consigo ver as cearas dançar nos teus ventos e o meu coração morto do tempo. A mim, a vida não me quer, eternamente me intensificará com a sua tortura. Sou um incómodo nela. É tão sabido este meu caminho nestas andanças, sem prazer, e sempre a sofrer que por mais que me esmere a fatalidade será para sempre incompreensível, análoga. Nunca poderá ser tão perfeito como era, nunca voltarás a ser a senhora de mim.. A única coisa que serás, serás real em mim como este sentimento dentro de mim.

Serei o condenado pelo teu coração tão eternamente Que..

Se houvesse alguma coisa que pudesse voltar este meu destino, procuraria loucamente entre os sonhos da tua cabeça, os loucos dos teus pensamentos e os felizardos dos teus sorrisos. Seria capitão de um veleiro de nome “teu coração” e velejaria entre o mar dos teus longos cabelos, na brisa ofegante do teu perfume. O halo dos teus beijos.. Excitam-me esses lábios! Que medo de te perder! perdi-te. Tão rápido, tão silenciosamente, tão despercebido.. Que tamanha dor pesa sobre mim.

Tiago Yhcas

2 Junho 2012


Única razão

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Mutilosa vida mantinha,

Amor neste sangue em fervor

Ruge, mas apenas de dor,

Imaginariamente minha

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Almejo o meu grande desejo

Numa esperança sofrida,

As armaguras de uma ferida

Sofrem mudas sem o teu beijo

Tiago Yhcas

Maio 2012


Floco de existência

            Acordei assim: num mundo; numa sala rica de saudade. Janelas cobertas de seda trabalhada e as cadeiras largadas pelo chão. As paredes arranhadas pelo passado, vislumbro agora como arte de quem se foi. Cheiros no ar… Estou na Natureza, nesta mentirosa vida. Foste capaz de me persuadir, querida Natureza. Lutar por aquilo de que gostamos, não desistir daquilo que amamos é apenas um valor vazio.

            Que mundo estranho e irracional, sem caminhos sem sentidos, sem um rumo que adivinho. Preta desilusão esta que estimo para mim. As coisas que acredito são meras baladas sem sentido, não vejo qualquer valor aqui, falsidade e amizades corruptas, enfim… Onde estão os amigos e os gritos afortunados e o tempo recuperado e o amor que tudo tem superado? Nada é realidade, apenas uma mera vivência de demência.

            Sinto os outros sem força. Que pináculo cruel perdura no meu coração. Um estúpido, sem razão. És um incrível sorriso que ofereço ao mundo, um verdadeiro e genuíno floco branco da minha existência. Uma existência cruel, penetrada pela sombra e a alegórica da minha fantasia. Que música embala o meu coração, esta depressão que me arrasa, me deita ao chão.

            Pobre coitada vida, não te preocupas, não opinas, nunca ajudas quem fez de si escravo do amor, quem trocou a felicidade pela dor. A segunda caminhada nunca prosseguiu, ela não conseguiu. Diz-se sofrida por mim, mas realmente o que ela padece é uma vida sem fim. Uma imortalidade infeliz, um medo do desfecho, uma gaiola fechada de temor pelo meu amor. 


Diogo Correia

17 Maio 2012